Pular para o conteúdo principal

      As empresas familiares continuam sendo um dos pilares da economia global, mas os desafios que determinarão seu sucesso nos próximos anos estão mudando rapidamente. A pesquisa KPMG Global Family Business Report 2026, produzida pela KPMG e realizada com 1.927 líderes de empresas familiares em 41 países, revela um setor confiante em sua capacidade de crescimento, mas consciente de que a próxima década exigirá novos modelos de gestão, liderança e governança.

      No Brasil, o estudo ouviu 122 líderes empresariais e identificou um cenário de transformação acelerada. Embora 75% dos respondentes afirmem ter uma estratégia clara de crescimento e 74% relatem forte alinhamento entre os líderes da organização, 61% acreditam que crescer será mais difícil nos próximos anos.

      Esses números revelam uma combinação de confiança estratégica e pragmatismo diante de um ambiente marcado por mudanças tecnológicas, escassez de talentos e aumento das incertezas econômicas.

      Como as empresas familiares brasileiras enxergam seu futuro?

      No Brasil, 75% afirmam ter uma estratégia clara de crescimento e 74% relatam forte alinhamento da liderança. Porém, 61% estimam que vão enfrentar mais obstáculos do que no passado. Esse percentual é ligeiramente superior à média global (59%).

      Os dados indicam que as vantagens tradicionais das empresas familiares continuam relevantes, mas precisarão ser complementadas por novas capacidades organizacionais para sustentar o crescimento no longo prazo.

      Destaques - Brasil

      75% têm uma estratégia clara de crescimento.

      74% relatam forte alinhamento da liderança.

      61% acreditam que os desafios dos negócios tendem a aumentar. 

      O que sustenta a competitividade das empresas familiares?

      Assim como ocorre globalmente, os atributos ligados à identidade familiar permanecem entre os principais impulsionadores de valor. No Brasil, 90% dos respondentes apontam a reputação familiar como uma vantagem competitiva relevante, percentual um pouco superior à média global (87%).

      Também se destacam os valores compartilhados (86%) e o chamado capital paciente (82%), característica associada à capacidade de tomar decisões com visão de longo prazo, sem pressão por retornos imediatos.

      Os dados indicam que esses aspectos continuam sendo diferenciais importantes. No entanto, o estudo mostra que elas precisam ser acompanhadas por processos mais estruturados de tomada de decisão, governança e supervisão.

      Destaques - Brasil

      90% destacam a reputação familiar como um dos principais fatores para gerar confiança perante clientes, parceiros e mercado.

      86% apontam os valores compartilhados como elemento que fortalece a cultura organizacional e orienta a tomada de decisões.

      82% citam o capital paciente como diferencial, permitindo investimentos e estratégias com foco no longo prazo, sem pressão por resultados imediatos.

      A profissionalização da gestão será o próximo passo?

      A transformação mais significativa identificada pelo estudo está relacionada ao modelo de gestão das empresas familiares.

      Globalmente, a proporção de empresas que se identificam como family run, isto é, geridas pela própria família, deve cair de 49% para 12% até 2035. No Brasil, essa mudança tende a ser ainda mais intensa: o percentual deve recuar de 48% para apenas 8%.

      A expectativa é que mais da metade das organizações migre para estruturas administradas profissionalmente, com famílias exercendo um papel cada vez mais estratégico por meio de conselhos e mecanismos de supervisão.

      Essa mudança não representa um afastamento dos valores familiares, mas uma evolução do modelo de gestão para enfrentar um ambiente de negócios mais complexo e competitivo.

      Como a IA está transformando as empresas familiares?

      A inteligência artificial (IA) aparece como um dos principais impulsionadores de crescimento para as empresas familiares. No Brasil, 80% dos respondentes afirmam estar implementando IA ativamente, percentual significativamente superior à média global de 64%.

      Ao mesmo tempo, o levantamento revela um desafio importante: 45% das empresas familiares brasileiras não desenvolveram uma estrutura de governança para IA; essa parcela é de 38% no cenário global.

      Com base nesse dados, pode-se inferir que a adoção da tecnologia está avançando mais rapidamente do que a criação dos mecanismos necessários para supervisionar seu uso, gerenciar riscos e garantir conformidade regulatória.

      Destaques - IA

      80% implementam IA ativamente no Brasil.

      64% implementam IA globalmente.

      45% das empresas brasileiras não possuem governança de IA.

      38% estão na mesma situação no cenário global.

      Quais são os principais desafios relacionados a talentos?

      À medida que as empresas familiares evoluem para modelos mais profissionalizados, a atração de talentos externos ganha importância.

      O estudo aponta que atrair profissionais qualificados para posições-chave se tornou o principal desafio relacionado a pessoas. A capacidade de incorporar competências especializadas, muitas vezes fora do círculo familiar, será decisiva para sustentar a transformação dos negócios e acelerar iniciativas ligadas à tecnologia, inovação e crescimento.

      Nesse contexto, a gestão de talentos passa a ser uma competência estratégica para conselhos, acionistas e lideranças executivas.

      As empresas familiares estão preparadas para os riscos do futuro?

      A gestão de riscos aparece como uma das principais áreas de atenção identificadas pela pesquisa.

      Apenas 22% das empresas familiares brasileiras afirmam possuir uma estrutura abrangente de gestão de riscos corporativos, percentual inferior à média global de 33%. Além disso, menos de 20% concordam fortemente que papéis e responsabilidades relacionados à gestão de riscos estejam claramente definidos.

      Os resultados indicam que, embora a exposição a ameaças cresça continuamente, a evolução das estruturas de controle e supervisão não acompanha o mesmo ritmo.

      Gestão de riscos: Brasil x mundo

      22% das empresas brasileiras contam com uma estrutura abrangente de gestão de riscos.

      33% têm essa estrutura globalmente.

      Menos de 20% dos brasileiros afirmam ter papéis e responsabilidades claramente definidos.

      O que o estudo revela sobre o futuro das empresas familiares?

      Os resultados apontam para um modelo de empresa familiar que continuará valorizando sua identidade, reputação e visão de longo prazo, mas que dependerá cada vez mais de gestão profissional, governança robusta, atração de talentos e uso responsável da tecnologia.

      No Brasil, a adoção da IA, a profissionalização da gestão e a necessidade de fortalecer a abordagem de riscos estão acontecendo com rapidez. Mais do que nunca, a capacidade de equilibrar legado e modernização será determinante para a geração de valor nos próximos anos.

      Empresas familiares que conseguirem combinar seus diferenciais históricos com estruturas modernas de governança, gestão de riscos e tecnologia estarão mais preparadas para sustentar o crescimento e preservar sua competitividade no longo prazo.


      Na KPMG, vamos além do negócio: olhamos para a família e para os empreendedores que o construíram. Saiba mais!